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Cultura e Entretenimento, por Edgar Borges | Sexta-feira

Produção da Amazon Prime Vídeo, DOM estreia hoje (4)

Por Edgar Borges, Agenda News

Publicado em 04/06/2021 12h38 - Atualizado em 04/06/2021 13h08

Produção da Amazon Prime Vídeo, DOM estreia hoje (4) Elenco série DOM - Divulgação/Amazon Prime Vídeo
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De tempos em tempos, a história da humanidade se repete. Principalmente, no quesito tragédia. Nada mais trágico do que o confronto entre pai e filho, como a tragédia entre Zeus e Cronos.

 

DOM, seriado produzido pelo braço brasileiro do streaming de Jeff Bezos, a companhia recorreu à Conspiração Filmes, empresa carioca, comandada pelo diretor Breno Silveira, que em seu currículo, coleciona sucessos de crítica e público como: Gonzaga, Dois filhos de Francisco, 1 contra todos, e muitos outros, para dar vida ao conto, que chegou ao conhecimento de Silveira, após a insistência de Vitor (um dos próprios personagens da série), em apresentar os fatos e ideias à ele.

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Como o próprio Silveira nos disse em coletiva de imprensa online da qual participamos, a história de Pedro Dom fascina, pois tantos são os fatos que ocorreram em sua jornada, que parecem fictíceos quando contados por apenas uma pessoa. Porém, como ele mesmo percebeu, mais de uma pessoa narrou os mesmos fatos com as mesmas particularidades que somente os envolvidos saberiam descrever.

 

Dom também rendeu um livro pelas mãos do músico e escritor Tony Belloto em 2020, partindo, também, de relatos de Vitor, que havia sido aconselhado pelo músico, a procurar o diretor carioca.

 

A trama

Dom aborda a vida, ascenção e queda de Pedro Machado Lomba Neto (Pedro Dantas na série). Carioca, nascido em família da classe média e filho do ex-policial civil Vítor. Tanto pai, quanto filho, possuem uma forte atração pela adrenalina, gatilho das ações de ambos.

 

Já sobre Vítor, é mostrado as origens de seu comprometimento no combate as drogas, quando na década de 70, ele é recrutado por uma figura sombria do exército, para atuar como infiltrado no Morro Dona Marta. Ali, Vítor conhecerá os caminhos que voltarão para assombrá-lo no decorrer de sua vida.

 

São exatamente estes opostos, que causam o antagonismo entre pai e filho, e que, por vezes, nos causam a sensação de desconforto nos embates emocionais que vão desmantelando sua família de dentro para fora. Se Dom tenta se libertar das amarras que lhe são impostas pelo pai severo, afundando-se nas drogas, Vítor por outro lado, sofre em não sabe lidar com as recaídas do filho, uma após a outra. E assim, como diz o ditado, a corda arrebenta sempre para o lado mais fraco.

 

Gênio do crime

De tanto frequentar as comunidades cariocas, Pedro se envolve com duas jovens oriundas da vida do crime, mas que tiveram total influência sobre sua vida, Jasmin e Vivi. É junto delas, que Pedro organiza seu bando que então, passará a aterrorizar o Rio de Janeiro, com diversos assaltos à residências com requintes de crueldade e malícia. Fama que o seguiu até seu fim.

 

A tática, por muitas vezes, consistia no ardil de sua boa aparência (loiro de olhos azuis) e boas vestes convencer os vigias e porteiros desavisados, deixarem passar o jovem acompanhado de belas mulheres à tiracolo.

 

Com o passar do tempo, e a redobra da vigilância, a operação precisou de melhor e mais preparo, com a criação de uma rede de suporte no repasse de informações, para infiltração e extração nos alvos escolhidos.

 

Difícil saber quem não fazia parte desta rede de contatos, que sucumbia ao carisma do bandido playboy, que levou terror à lares em regiões como:  Ilha do Governador, Barra da Tijuca, Recreio e Zona Sul do Rio.

 

Elenco - o maior trunfo

Silveira, leitor exímio de como a retratação humana importa em suas adaptações, escolheu a dedo o elenco, que tem entre seus principais nomes, os seguintes: Gabriel Leon (Pedro Dom), Flávio Tolezani (Vítor Dantas - adulto), Filipe Bragança (jovem Vítor), Raquel Villar (Jasmin), Isabella Santoni (Vivi).

 

Começo citando que a dualidade entre as amantes de Dom, Jasmin e Vivi, dão o tom de como uma mulher faz a diferença no caminho de um homem. Ambas amam Dom. Porém, cada uma de uma maneira e de uma forma diferente, pois mesmo entre bandidos, existe espaço para o amor. Villar brilha nas diferentes camadas de sua personagem, e Santoni não tem medo da ousadia e desprendimento necessários para incorporar Vivi.

 

Filipe Bragança é outro que consegue dar à versão jovem de Vítor momentos de ingenuidade, fragilidade, compaixão e humanidade difíceis de se extraírem de forma tão orgânica.

 

Entretanto é em Gabriel Leone e Flávio Tolezani que o espetáculo se sustenta como um todo. Leone alterna momentos de doçura e paixão pelo pai, com raiva irracional e pujante. Torcemos, e muito pelo seu Dom, para que se recupere e se erga na sua trajetória, mas, aqui tratamos de uma obra baseada em fatos, sem final feliz, apenas a realidade nua e crua.

 

Tolezani não fica a dever em nada na sua atuação, que mostra o quão desesperada para reaver seu filho é a luta de um pai, que, como dito logo no início, parece viver neste ciclo, um karma despertado em sua versão mais jovem. Se torcemos por Dom, dizemos o mesmo sobre Vítor, na esperança de poder confortar aquele vazio que o mesmo sabe que não será preenchido de forma alguma.

 

Ao elenco coadjuvante, cabem mencções honrosas à Fábio Lago, excepcional como sempre, e Ramon Francisco, que entrega sinceridade nos sentimentos de amizade, e igualmente, de inveja por Dom.

 

Considerações finais

Dom é uma produção voltada para maiores de 18 anos apenas, com um retrato fiel de como as drogas consomem não apenas seus usuários, mas seus entes queridos, suas realidades e entornos.

 

Com o Rio de Janeiro como pano de fundo, a produção da Amazon Prime Video mostra aos mais atentos, mudanças sutis de cores e tons conforme o aspecto emocional de seus protagonistas para aqueles que possuem olhos mais atentos, e que é captada pelas lentes de Silveira na Cidade Maravilhosa.

 

Estreando em mais de 200 países, a produção faz parte de um projeto do serviço de streaming, de produzir mais conteúdos com DNA nacional, e começa com pé direito.

 

Infelizmente, a luta de um pai para que a história de seu filho fosse contada de uma forma não que seus pecados fossem suavizados, mas que não deixassem esquecer do quanto o mesmo um dia exultou em bondade, não pôde ser contemplada pelo mesmo, que faleceu em 2019, de uma droga lícita; o cigarro, que deu-lhe um câncer de pulmão.

 

Já Pedro Dom, foi morto em 15 de setembro de 2005, numa operação policial que resultou em contronto na saída do Túnel Rebouças.

 

Com 8 episódios, com cerca de 1 hora de duração, por todo seu conjunto, detalhes, retratação e entrega nas atuações, Dom leva a nota 9,5.

 

O Pop Fun agradece à Amazon Prime Video pelo convite para coletiva de imprensa online, e acesso antecipado à exibição do seriado.



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