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Educação | Terça-feira

Você sabe o que é pobreza menstrual?

Por Maria Angela Gomes, Agenda News

Publicado em 08/06/2021 07h26

Você sabe o que é pobreza menstrual? Ilustrativa
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Você já ouviu falar em pobreza menstrual? É muito simples e acredito que se você que está lendo é do sexo feminino, vai compreender com muito mais facilidade. Pobreza menstrual é o termo adotado para se referir ao problema de milhares de mulheres que não possuem condições básicas para comprar absorventes durante seus ciclos e o que parece um problema estritamente feminino, na verdade é um problema social, ou seja, um problema de todos.

 

O mercado, atualmente, fornece as mulheres inúmeras formas de lidar com a menstruação: absorventes descartáveis, absorventes reutilizáveis, coletor menstrual, absorvente interno, entre outros. O que ocorre é que todos os métodos mencionados ou qualquer outro que possamos mencionar inclui um custo, um gasto econômico que muitas mulheres, infelizmente, não possuem, ainda mais se falarmos em um período de crise. São inúmeras mulheres que durante seus ciclos precisam recorrer a formas pouco aconselháveis, como o papel higiénico, tecidos que não comportam a necessidade e por aí vai.

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A ONU estima que uma em cada dez meninas já se ausentou na escola durante o período menstrual por falta de recursos; aqui no Brasil falamos de uma a cada quatro meninas. Durante a vida uma mulher tem cerca de 450 ciclos menstruais gastando em média 20 absorventes por ciclo. Estima-se que sejam usados 10.000 absorventes durante toda fase fértil.

 

Todo esse debate, no entanto, não gira apenas em torno de valores e números. Estamos falando de um problema socialmente enraizado em interpretações equivocadas sobre o sangue menstrual. Por que meninas são ensinadas a esconder seus absorventes se a menstrual é natural para todas nós e todos sabemos que é parte da vida? Por que o sangue da menstruação é considerado algo impróprio, motivo de relia, se é algo tão comum? A resposta pode estar em uma construção que precisa refletida e acima de tudo, precisa ser combatida.

 

O sangue muitas vezes é associado a violência, a morte, mas o sangue da menstruação, pelo contrário, é o sangue da vida. Um questionamento válido é por que a pobreza menstrual não foi pensada antes e por que muitos de nós se quer tínhamos ouvido falar dela? Será que é por que nossos governantes são majoritariamente homens? Por que a pobreza não chega ao governo? Seja qual for o motivo, estamos em um processo de desconstrução que não pode e não deve ser paralisado. Precisamos evoluir, pensar nos nossos, seguir em frente e lutar por políticas públicas que alcancem a todos e todas. Isso tudo é parte da educação que move o mundo e está em todo lugar.



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Maria Angela Gomes

Petropolitana, professora de História, mestranda em História Social e atua na área de educação há 04 anos com reforço escolar e educação multidisciplinar. Redes Sociais: Facebook Instagram